O PERDÃO
O perdão é importante em muitas religiões. Ele traz paz e alivia a dor, ajuda a curar relacionamentos. A prática do perdão é um ato de amor. Embora a obra seja de Umbanda, o livro apresenta a experiência de Simas com diversas religiões.
Deste modo, a ideia de que pessoas, por serem perdoadas por Deus, deveriam perdoar seus próprios transgressores é comum à maioria das religiões por milênios (McCulloug & Witvet, 2002)
No contexto teológico o perdão na Bíblia deve ser analisado a partir de línguas originais como o hebraico e o grego. No hebraico (antigo testamento) destacam-se os verbos salach (perdão puramente divino, restauração voluntária de comunhão), nasah (carregar ou levar embora a culpa) e kapha (cobrir a transgressão, relacionado à expiação e rituais de sacrifício).
Já o Novo Testamento, a palavra perdoar aparece em Matheus 18:21 o termo cuja expressão é aphiemi a qual remete a “cancelar uma dívida”, “soltar” ou “deixar ir”. Trata-se de um registro da pergunta de Pedro a Jesus sobre quantas vezes deve perdoar alguém que o ofende:
Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei Até sete? (Mateus 18:21)
E então o Senhor Jesus Cristo responde:
Não digo que até sete; mas, até setenta vezes sete (Matheus 18 21-22)
Parábola do Servo Impiedoso (Matheus 18:23-35)
Jesus decide aprofundar mais um pouco os ensinamento do perdão a Pedro, Jesus conta então a história de um rei que decide acertar as contas com seus servos. Essa história se divide em 3 momentos principais:
1º – O perdão da dívida impagável (versículo 23 27). Um servo devia ao rei 10 mil talentos, ou seja, uma quantia considerada astronômica para a época. Significava o salário de milhares de anos em relação ao ofício que o servo desempenhava. Diante do desespero do servo clamando por paciência, o rei se compadece e cancela toda a dívida, deixando-o ir livre.
2º - Ocorre que este mesmo servo posteriormete encontra um companheiro que lhe devia cem denários, ou seja, um dívida de cerca de 100 dias de trabalho. Este homem agara o devedor pelo pescoço e exige o pagamento imediato, mesmo ouvindo o mesmo apelo por paciência que ele havia feito ao rei. Ele recusa o apelo e manda prender o devedor.
3º - O rei fica sabendo do ocorrido (versículo 31 a 35), age com revolta e ordena que o servo por ele absolvido seja condenado.
O Pai Nosso
Como sabemos, também há menção ao perdão no Pai Nosso: Perdoai nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido.
E para a comunidade científica ?
Em busca de associar os ensinamentos do livro com a ciência, o que mais nos aproximamos é o perdão como processo psicológico. Embora tenhamos poucos estudos científicos do perdão com a psicologia (trabalhos sistemático apenas começaram a aparecer na década de 80). Estudos psicológicos sobre perdão, especialmente aqueles que investigam emoções negativas, ressentimento, ruminação e reoganização da relação do indivíduo com acontecimentos do passado.
A maior incidência do livro ocorre com a ruminação psicológica. Na saga, pensamentos relacionados à culpa, à vergonha e às pessoas que fizeram parte de sua vida e você não as esqueceu são uma prisão. É necessário exercitar o perdão para avança espiritualmente, do contrário pode ser estabelecido uma tendência de permanecer pensando repetidamente sobre esses acontecimentos negativos.
Para isso, nos dias de hoje uma boa alternativa é na utilização de métodos científicos atrelados à psicologia. O livro aborda questões humanaas e psicológicas universais (SARACENI, 2019, p. 283-298).
E o livro?
Na obra O Cavaleiro da Estrela Guia, o perdão aparece associado ao enfrentamento do passado (1), ao reconhecimento dos próprios erros (2) e à possibilidade de transformação interior (3). A trajetória de Simas mostra que a oração, embora seja apresentada como um meio de aproximação com o Criador, não é suficiente, por si só, quando o indivído permanece preso à culpa, à vergonha e às experiências passadas. O livro estabelece, portanto, uma relação entre oração, arrependimento, perdão e mudança interior (SARACENI, 2019, p. 276-277).
Além disso, no plano espiritual, Simas encontra espíritos que sofredores em um galpão. Estes enfermos afirmam não terem coragem de orar a Deus por vergonha de seu passado.
Então Simas explica que existe um tempo para o erro e um tempo para o perdão (SARACENI, 2019, p. 277)
Há um tempo para o erro e um para o perdão. Quem sabe já seja o tempo do perdão, não?
Essa passagem é importante porque apresenta o perdão não como negação do erro cometido, mas como uma possibilidade posterior ao reconhecimento daquilo que aconteceu.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A Biblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualiada no Brasil. 2ª ed. , em letra grande, Barueri: Sociedade Biblica do Brasil, 2000, 1504 p.
McCullough, M. E., & Witvliet, C. V. (2002). Psychology of forgiveness. In C. R. Snyder & S. J. Lopez (Eds.), Handbook of positive psychology (pp. 446-458). London: Oxford University Press. Link acesso: 2/10/2026 https://www.scielo.br/j/pcp/a/yXJPQJnLmgcWBzDXt8hXFtb/?format=html&lang=pt&ilang=pt_BR
SANTANA & LOPES, Rodrigo, Renata. Aspectos conceituais do perdão no campo da psicologia. Universidade Federal de Uberlândia. 2012. link acessado em 2/10/24: https://www.scielo.br/j/pcp/a/yXJPQJnLmgcWBzDXt8hXFtb/?lang=pt#end
SARACENI, Rubens. O Cavaleiro da Estrela Guia: a saga completa. São Paulo: Madras, 2019.





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